quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pintando acrílicos com espátula


No presente ano lectivo iniciei o estudo da técnica no atelier do Micaspatudo em Caldas da Rainha. Para mim, em fase inicial do trabalho, para se conseguirem os efeitos que o meu professor, Octávio Júlio, pretende, não é tarefa simples. Contudo as aulas são interessantes, o professor é simpático e muito acessível, sempre pronto a criticar as experiências que vou realizando e sempre apontando caminhos que me irão permitir, espero, o domínio da técnica. Ter-me inscrito no referido atelier foi uma boa opção e, prometo, quando tiver obra "que se veja", o blog será o primeiro lugar público em que a irei apresentar.

Há trabalhos que colegas meus, mais avançados, realizam e que são um deleite para os olhos.

Proponho a visualização de dois vídeos (que se complementam, embora haja um 3.º que mostra a execução do trabalho final) sobre esta técnica e esclareço que o modo como ando a aprender o trabalho com espátula é completamente diferente deste, o que não deixa de ser curioso porque permite que se compararem diferentes maneiras de pintar com os mesmos materiais.







sábado, 17 de outubro de 2009

Óbidos



Na sequência de um novo trabalho realizado em técnica mista em que ao acrílico está associada a colagem, nasceu este novo quadro.

O texto que aparece é uma cópia de um original do século XIV, o castelo, uma fotocópia de uma serigrafia sobre a vila que foi modificada e, finalmente, as letras foram copiadas para um acetato, recortadas e aplicadas no trabalho que, após terem levado a tinta preta, formaram a palavra Óbidos.

E, mais uma vez, é tudo.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Infância

Circunstâncias fortuitas podem fazer surgir ideias susceptíveis de serem aproveitadas para trabalhos criativos. Foi o que sucedeu quando, ao entrar numa casa comercial em Óbidos, vi a bonequinha de pernas pendentes que surge no canto inferior esquerdo do quadro que mostro acima.

O título brotou de imediato "Infância". Depois foi pesquisar na net para encontrar um poema relativo a este período da vida, obter imagens sobre jogos tradicionais e trabalhar o conjunto com pasta de moldar e acrílicos.

Apliquei folha de ouro sobre o balão que pretende representar o pensamento da bonequinha, uma vez que a infância pode, por muitos, ser considerada o período de ouro de uma vida.

Consegui até errar uma conta de somar (1+5=7) para mostrar que a aprendizagem da matemática pode ser difícil.

Para que o dourado do balão não ficasse isolado no quadro, fiz aderir uns corações e a imagem de uns embrulhos autocolantes que comprei no Lidl e, finalmente, pintei o título do quadro a verde para conjugar com a roupa da bonequinha.

E é tudo!...


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A necessidade da abstracção

Nas minhas leituras encontrei o seguinte texto que vai de encontro ao que eu sinto relativamente à pintura abstracta:

“Uma pintura é o reflexo mais pessoal de cada ser, das suas emoções e do seu carácter. Nalgum ponto das nossas carreiras como pintores alcançamos este patamar, mas para lá chegar, um longo caminho teve de ser percorrido.

Todos nós começamos por aprender as técnicas e regras da pintura para as podermos usar de modo a representar a realidade de forma tão “genuína” quanto nos for possível, numa superfície plana. Mais cedo ou mais tarde chega o momento em que ficamos cansados disso, e é aí que iniciamos as nossas pesquisas. Decidimos, então, abandonar todas as regras da pintura e descobrir que existe um mundo completamente diferente de pintar: o da abstracção. Compreendemos o que é a verdadeira liberdade e lançamos os fundamentos de uma pintura expressiva: liberdade, espontaneidade, ausência de limites.

Torna-se, então evidente, que não temos nenhuma necessidade nem desse mundo exterior, nem da realidade, para nos podermos expressar, e que, na verdade a realidade até possui um efeito condicionador.

O momento em que deixei “partir” a realidade constituiu para mim a libertação. Simultaneamente, apercebi-me que tinha chegado ao ponto em que o meu trabalho era um reflexo da minha pessoa, que este tinha origem no mais profundo do meu ser.

Posso garantir que cada obra que é criada com esta orientação é um reflexo directo de mim, enquanto ser humano, das minhas emoções, da minha personalidade.

Para mim é gratificante saber que tudo isto é único, individual, que é exactamente aquilo que sou.”

Tradução livre de

Vliet, Rolina van, The Art of Abstract Painting, Search Press, 2009, pág. 3

Apresento, agora, dois trabalhos de Rolina Von Vliet




terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pintando abstractos

Após alguns anos a pintar dentro da linha do figurativo, cheguei a um momento de ruptura com esta corrente artística. Há de facto magníficas obras que reproduzem a realidade, com cores muitíssimo bem aplicadas, com contraluzes fabulosos, com pinceladas que atingem o nível da mestria. Enfim, um encanto para os sentidos. Mas para mim deixou de ser suficiente.

Quero utilizar capacidades como a liberdade, a criatividade, a imaginação ou a espontaneidade. Desejo, por exemplo, partir para uma tela sem nenhuma ideia pré-concebida sobre o produto que irá resultar e ir, gradualmente, construindo o trabalho, seguindo em frente, recuando, numa palavra: ajustando o caminho, tendo em vista que “o caminho faz-se caminhando”.

Foi assim que nasceu o quadro que apresento (a imagem está um pouco afastada da realidade porque o trabalho já se encontra emoldurado e não consegui eliminar o problema dos reflexos; tentei colocá-lo em diferentes posições para minimizar a questão. Resolvi apresentar a imagem mesmo assim).

  • Comecei por elaborar três áreas com manchas de cor e sem contorno entre elas.
  • Seguidamente trabalhei com pincel, mesclando as tintas. Não gostei do efeito.
  • Optei (com o acrílico ainda húmido) por prosseguir à espátula, mesclando as tintas, trabalhando do claro para o escuro e vice-versa, de forma a colocar fragmentos de cada cor na sua vizinha.
  • Depois de alguns acertos, de alguns avanços e recuos parei. Afastei-me do cavalete, ponderei as manchas obtidas, fiz pequenas correcções e o trabalho surgiu.

Peço que use a imaginação e que tente atribuir um nome ao quadro. O título que lhe dei vem explicito um pouco mais abaixo da figura (que repito) para que não fique condicionado por ele. Fez a mesma leitura?

Na minha opinião, para além dos aspectos anteriormente focados, na pintura abstracta (mais que na do domínio figurativo) cada um de nós projecta os seus sentimentos, as suas vivências naquilo que observa. A pintura não vem imbuída de uma leitura uniforme. É fácil pensar que, perante esta realidade, o autor abstracto não produz uma obra, mas tantas quantos os seres que a observam. E esta vertente também é aliciante nesta corrente artística.

Chegarei lá? Não tenho a certeza, mas estou a começar a tentar realizar este percurso e gostaria de o conseguir.

Alcida Maria, 2009

Acrílico sobre papel; 54cm x 44 cm




Corrida de motos

domingo, 11 de outubro de 2009

A propósito de colagens

As minhas tímidas tentativas para realizar trabalhos na área das colagens começaram já há algum tempo. A bem da verdade, avaliava-as sempre como demasiado simplistas, não conseguindo extrair prazer nas obras produzidas.

Mas, como tudo na vida, a persistência e, muitas vezes, o acaso, vêm dar um "empurrãozinho" estimulante. Foi o que aconteceu quando, ao deambular pela FNAC do Chiado, encontrei o livro que apresento a seguir. Trata-se de um livro com diversas técnicas experimentais que até nem são nada complexas (mas em Inglês) e das quais resultam trabalhos visualmente agradáveis. Foi a partir de "dicas" que fui lendo que construí (não copiei) as colagens "A Camões" e "Óbidos".



Se pretender ver trabalhos de Ann Baldwin, a autora do livro citado, por favor dirija-se ao site

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Colagem

Durante o fim-de-semana passado, uma vez mais, utilizei parte do meu tempo para concretizar a colagem que apresento seguidamente.

Repeti a técnica anteriormente experimentada ao aplicar uma mistura de gel médium e acrílicos (ver dia 4 de Outubro), mas incorporei, desta vez, papel de seda e cartão ondulado (aproveitamento de material que acondicionava um produto que adquiri e que nada tinha a ver com a ideia das colagens).

Optei, agora, por uma gama de tons que se situavam entre os azuis e os verdes, passando, um pouquinho pelo amarelo e pelo grená ( neste caso, uns toques breves na parte inferior do quadro e na coluna da casa que surge na imagem maior).

O texto que faz parte do corpo da colagem diz respeito às origens de Óbidos.

As letras representam o alfabeto gótico em maiúsculas e em minúsculas.

E é tudo. Embora a fotografia altere um tudo nada as cores originais, espero que seja do seu agrado.



Alcida Maria, "Óbidos", 2009
Colagem e acrílico sobre cartão prensado
30 cmx 40cm

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Offenbach

(1819-1880)

Compositor francês de origem alemã, Jacques Offenbach nasceu em Colônia a 20 de junho de 1819. Filho de um cantor de sinagoga, foi para Paris ainda jovem, mas não se destacou nos estudos musicais que fez como compositor. Mesmo assim, estudou violoncelo no conservatório durante um ano (1833).

Entrou em seguida para a orquestra da Ópera Cômica. Foi chefe de orquestra do Teatro Francês e, depois, fundou o Bufê Parisiense (1855). Compôs uma série de operetas de enorme êxito popular, sendo famoso nos anos de 1860 à 1880.

Viveu os últimos anos de vida em penosa solidão, compondo a sua obra mais ambiciosa, que apenas seria estreada após sua morte. Offenbach morreu em Paris a 5 de outubro de 1880.

Suas obras, cheias de imaginação musical, verve rítmica e humor burlesco, refletem o ambiente da sociedade do II Império na França. A música de Offenbach, foi cultivada sempre no sentido de tornar-se cada vez mais pessoal.

Offenbach compôs de início cançonetas, sobre paródias de textos clássicos. Mas, já em 1847, sua Canção de infortúnio, para o poema Le Chandelier, de Alfred de Musset, é música mais séria. Em pleno apogeu do II Império, da vida parisiense alegre e irreverente, o compositor tornou-se popular por uma série de operetas, particularmente após tornar-se do teatro Bouffes-Parisiens. Destacam-se dessa época suas operetas Orfeu no inferno (1858), paródia espirituosa de Gluck, A ponte dos suspiros (1861), O brasileiro (1863) e A bela Helena (1864).

Nas composições citadas, predomina o espírito burlesco e irreverente do cancã, que culmina em sua opereta A vida parisiense (1866). Várias obras importantes de Offenbach, apresentadas em seguida, são hoje injustamente esquecidas: A grã-duquesa de Gerolstein (1867), La Périchole (1868), A princesa de Trebizonda (1868) etc. São obras cômicas, mas também fantásticas, que irradiam uma atmosfera mágica de absurdo divino.

A mais conhecida das obras de Offenbach é a ópera Os contos de Hoffmann (1881). Nela, o autor abandona a frivolidade ou ligeireza, característica da maioria de suas operetas, e procura captar a atmosfera romântica dos contos de E.T.A. Hoffmann. Intitulada ‘ópera fantástica’, sua orquestração e recitativos adicionais são de Ernest Guiraud, que nela inclui a peça mais popular do compositor: a barcarola, retirada da opereta As ninfas do Reno (1864). Embora alguns críticos a censurem como excessivamente operística, Os contos de Hoffmann possui uma qualidade evocativa, uma atmosfera quase onírica. A obra continua no repertório. Offenbach compôs ainda pantomimas e o balé A borboleta (1860).


http://www.classicos.hpg.ig.com.br/offenbac.htm


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Louis Armstrong What a Wonderful World

Louis Armstrong

I see trees of green........ red roses too

I see em bloom..... for me and for you

And I think to myself.... what a wonderful world.

I see skies of blue..... clouds of white

Bright blessed days....dark sacred nights

And I think to myself .....what a wonderful world.

The colors of a rainbow.....so pretty ..in the sky

Are also on the faces.....of people ..going by

I see friends shaking hands.....sayin.. how do you do

Theyre really sayin......i love you.

I hear babies cry...... I watch them grow

Theyll learn much more.....than Ill never know

And I think to myself .....what a wonderful world

(instrumental break)

The colors of a rainbow.....so pretty ..in the sky

Are there on the faces.....of people ..going by

I see friends shaking hands.....sayin.. how do you do

Theyre really sayin...*spoken*(I ....love....you).

I hear babies cry...... I watch them grow

*spoken*(you know their gonna learn

A whole lot more than Ill never know)

And I think to myself .....what a wonderful world

Yes I think to myself .......what a wonderful world.



domingo, 4 de outubro de 2009

Colagem

Para quebrar a monotonia e trabalhar de forma descontraída, resolvi tentar o domínio das colagens. A que hoje apresento ficou concluída na semana passada e foi divertido fazê-la. Para além da colagem propriamente dita, a tarefa implicou aplicação de tinta acrílica com espátula e pincel, o uso de um carimbo e ainda de gel médium que, à partida pretendia dar volume nalgumas áreas do quadro e que depois serviu para produzir a ondulação que aparece na parte inferior do mesmo.

A temática refere-se a Camões. No final verifiquei que o ponto focal ficava diluído no conjunto. Para o salientar apliquei uma espiral a pastel de óleo em torno da imagem do poeta.

Alcida Maria, "A Camões", 2009
Colagem e acrílico sobre cartão prensado
30 cmx 40cm

Semicerrando os olhos e sentindo o texto de Virgínia Woolf

“Quanto a ele, continuava lá em cima na sua rocha, como um náufrago em cima de uma rocha. Inclinei-me na amurada do barco e caí ao mar, pensou ele. Mergulhei até ao fundo. Estive morto e, no entanto, estou agora vivo, mas deixai-me descansar, implorou (...). E tal como de madrugada chilreiam os pássaros e chiam as rodas dos carros, em estranha harmonia, até que, num crescendo, fazem com que a pessoa que dorme se sinta arrastada para as praias da vida, igualmente se sentia ele arrastado em direcção à vida, porque o sol era agora mais quente, soavam mais fortes os gritos, e algo de tremendo estava para acontecer.

Só precisava de abrir nos olhos; mas sentia neles um peso, um terror. Ergueu-se com esforço, olhou para baixo e viu Regent’s Park à sua frente. Longas tiras de sol acariciavam-lhe os pés. As árvores ondulavam, acenando com os seus ramos. Damos as boas-vindas, parecia dizer o mundo, aceitamos, criamos. Beleza, parecia o mundo dizer. E como que para o provar (cientificamente), para onde quer que ele olhasse – casas, gradeamentos, antílopes esticando o pescoço por cima das cercas – a beleza jorrava de forma instantânea. Observar uma folha estremecendo à passagem do vento era por si um delicado prazer. Muito lá em cima, no céu, as andorinhas juntavam-se, apartavam-se, arrojavam-se para um lado, para outro, em círculos, mas sempre em movimentos perfeitamente controlados, como se estivessem presas por elásticos; as moscas que subiam e desciam; e o sol, galhofeiro, bem-disposto, incidia ora numa, ora noutra folha, ofuscando-as com o seu delicado ouro; ouvia-se, a espaços, um tinido harmonioso (talvez uma buzina de automóvel) soando entre as ervas altas – e tudo isso, na tranquila sensatez em que surgia, composto como era de coisas comuns, constituía agora a verdade; a beleza constituía agora a verdade; a beleza coincidia com a verdade. A beleza estava por toda a parte.

“Está na hora”, disse Rezia.

A palavra “hora” irrompeu da sua casca, derramando sobre ele as suas riquezas. E dos lábios dele saíram como conchas, como aparas de uma plaina, sem que ele fizese nada por isso, palavras rígidas, brancas, imortais, que voavam ao encontro do lugar que lhe correspondia numa ode ao tempo; uma ode eterna ao Tempo.”

Virgínia Woolf, "Mrs. Dalloway", Relógio d’Água Editores, Lisboa, 2004, pág 80-81

sábado, 3 de outubro de 2009

Ao sabor do acaso

O trabalho que a seguir apresento teve uma construção interessante. Partiu de dois eixos oblíquos feitos com manchas em carvão aglutinado. Seguidamente, e completamente ao acaso, fui aplicando giz de cor e pastel seco. Quando não gostava do efeito, apagava. Isto aconteceu algumas vezes e, inesperadamente, comecei a visualizar um rosto. A tarefa seguinte foi dar um pouco de forma a esse rosto (intencionalmente sem qualquer grau de pormenor), trabalhar as manchas de cor, criar o arco vermelho à volta da cabeça e a forma azul que se prolonga para dentro da figura formando a boca. Para terminar uma pequena “brincadeira” à volta dos olhos para os destacar do conjunto, de forma o menos gritante possível.

Alcida Maria, "A raiz da tristeza", 2009

Técnica mista:carvão e pastel seco

42 cm x 60 cm