segunda-feira, 29 de junho de 2009

Neo-impressionismo e pós-impressionismo (parte 3)

Neo – Impressionismo

Depois de 1886, quase nenhum autor pintava sob os efeitos do impressionismo, exceptuando  Monet. O Neo-impressionismo, ou divisionismo, foi criado por Seurat  e consistiu na evolução do impressionismo no sentido do rigor, utilizando a cor de uma forma sistematizada. A cor era intuitiva, a técnica utilizada consistia numa mistura óptica designada por pontilhismo, no qual justapunha pequenas manchas de cor pura – pontos – que se deveriam misturar a certa distância na visão do observador. As dimensões dessas manchas coloridas dependiam do tamanho do quadro e baseava-se na lei das complementares. O mais importante nas obras eram as leis universais e eternas da harmonia – o ritmo, a simetria e o contraste. Os temas foram os da vida citadina, das paisagens marítimas e das diversões, tratados em grandes telas, e executados no atelier a partir de estudos realizados ao ar livre. Os pintores mais consagrados desta época foram: Georges Seurat, Paul Signac e Pissarro.

Vamos abrir um parêntesis na informação que está a ser transmitida:

Pontilhismo:

Link: http://www.youtube.com/watch?v=TlBiLc3Z4MM

Roda das cores:


Cores complementares são cores que se encontram no lado oposto do círculo cromático. Exemplo: a cor complementar do vermelho é o verde, a do amarelo é o violeta.

Fechemos o parentesis e debrucemo-nos sobre os principais representantes do neo-impressionismo.

  • Georges Seurat (A HARMONIA DA ARTE SEGUNDO SEURAT – A arte é harmonia. A harmonia é uma unidade de contrastes e de semelhanças no tom, na cor, na linha. Tom, isto é, claro e escuro; cor, isto é, o vermelho e a sua complementar verde, laranja e a sua complementar azul, amarelo e a sua complementar violeta; linha, isto é, a direcção em relação à horizontal. A alegria nasce no tom pela predominância do claro; na cor quente; no traço, pelo movimento que se eleva acima da horizontal. A calma manifesta-se no tom pelo equilíbrio do claro – escuro; na cor pelo equilíbrio do quente – frio; no traço pela orientação na horizontal. O tom adapta se à tristeza quando tem predomínio do escuro, a cor do frio e o traço do movimento descendente).


1884-86; "Um domingo à tarde na ilha Grande Jatte", Art Institute of Chicago, Colecção Helen Birch Bartlett

Link: http://www.youtube.com/watch?v=6F4R2e63hgo


  • Paul Signac aplicou estes princípios em composições decorativas, de uma forma mais simples.


 Paul Signac: Port St. Tropez, ( 1899)Musée de l'Annonciade, St. Tropez

Fonte:

http://209.85.229.132/search?q=cache:BLCQYzjxzssJ:www.exames.org/apontamentos/HstArte/histarte-impressionistaateartenovaport.doc+%22No+Neo+–+Impressionismo+a+representação+do+instante+luminoso+passou+a+ser+o+elemento+secundário+do+quadro,+aumentando+em+contrapartida+o+jogo+da+harmonia+das+cores+em+si.+Por+isso,+a+obra+deixou+de+ser+uma+impressão+fugaz+e+passou+a+ser+uma+rigorosa+construção+de+cores,+de+formas+e+de+linhas,+perseguindo+as+leis+universais+e+eternas+da+harmonia+-+o+ritmo,+a+simetria+e+o+contraste.%22&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

 

 


domingo, 28 de junho de 2009

Uma despretensiosa História de Arte (parte 2)

Escola de Barbizon ...

A “Escola do Barbizon”, dá inicio a uma pintura que abandona as formas tradicionais de pintar, a pintura de Atelier.

A chamada escola de Barbizon foi um movimento artístico que se sucedeu entre os anos de 1830 e 1870, integrado por um conjunto de pintores franceses que se estabeleceram próximo ao povoado de Barbizon, nas cercanias do bosque de Fontainebleau, deixando Paris, numa atitude de aberta oposição ao sistema vigente.

Origens

Em 1824 o Salão de Paris exibiu uma exposição do pintor John Constable. Suas cenas rurais influenciaram alguns artistas jovens, fazendo que abandonassem o formalismo e o academismo para buscar sua inspiração directamente na Natureza. A paisagem e outras cenas naturais foram sua temática mais recorrente, como elemento protagonista de sua pintura e não como mero pano de fundo de feitos dramáticos ou cenas mitológicas.

Durante as revoluções de 1848, um grupo de artistas começou a se reunir no povoado de Barbizon , onde seguiam as ideias de Constable. Deste grupo faziam parte Théodore Rousseau, Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Charles-François Daubigny. 


John Constable, Estudo de nuvens (1821)

Link: http://www.youtube.com/watch?v=ZoNG9vAcfy4

Estilo

Mantêm um estilo realista, porém de entonação ligeiramente romântica, que se caracteriza por sua especialização quase exclusiva em paisagens e o estudo directo do natural. Terá influência  no resto da pintura francesa do século XIX, em especial no Impressionismo. Usualmente faziam esboços ao ar livre, para terminar as obras no atelier. Renunciam aos tipos pitorescos da vida campestre e se lançam a analisar a natureza de um modo quase escrupuloso, observação que produz efeitos sentimentais na alma do pintor, adquirindo suas paisagens uma qualidade dramática perceptível.


Rousseau: Fontainebleau


Millet: As respingadoras de trigo

Link: http://www.youtube.com/watch?v=PNVLBNERL_w&feature=PlayList&p=B0D959269EFC0101&playnext=1&playnext_from=PL&index=9

 O NATURALISMO  1835-1870

O Naturalismo foi uma tendência artística prevalecente em toda a Europa, na segunda metade do século XIX. Influenciará o resto da pintura francesa do século XIX, em especial o Impressionismo.

O Naturalismo pretende imitar a Natureza com exactidão, opondo-se ao idealismo e ao simbolismo.

Os pintores foram-se interessando cada vez mais pela representação da vida quotidiana e dos seus acontecimentos triviais. Foi uma tendência que também teve expressão na literatura, especialmente nas novelas de Zola e dos Goncourts.

Esta escola procura a inspiração na observação directa da Natureza, que é pintada no local, e com toda a autenticidade. A sua temática é portanto determinada pela pintura ao ar livre (plein air): a paisagem, cenas da vida e do trabalho no campo. A pintura é executada no local e observando directamente o motivo a representar, bem como a luz e a cor local.

A PINTURA NATURALISTA (aspectos técnicos e plásticos):

- Permanência das regras clássicas da perspectiva;

- Relação com o academismos oitocentista;

- Estilo conformista, não fazendo crítica social como o realismo em França;

- Uso das gradações de cores primárias;

- Pintura livre, serena e cheia de transparências;

- Os retratos são subtis e as paisagens com marcação de volumes;

- Simplicidade e harmonia das personagens e da sua estética;

- Pintura sentimental bucólica;

- Pincelada mais definida nas feições e nas roupas;

- Expressividade e intensidade dramática;

- Análise expressiva do retrato físico e psicológico.

 

O NATURALISMO EM PORTUGAL 1880-1910:

Em Portugal o Naturalismo chega tardiamente em 1879, por influencia da obra dos bolseiros de Paris, especialmente Silva Porto e Marques de Oliveira, que tinha estado no Barbizon, tendo assimilado aí o método de pintura ao ar livre e a sua temática característica. Este estilo impõe-se e domina o gosto em Portugal até muito mais tarde do que no resto da Europa.

São representantes do Naturalismo: Silva Porto, Marques de Oliveira, José Malhoa, João Vaz, Sousa Pinto e Columbano (este com uma obra de características muito pessoais e especificas). São temas predominantes as paisagens rurais e marinhas, cenas bucólicas, cenas de costumes rurais (especialmente Malhoa), ambientes  urbanos e, principalmente em Columbano, cenas da vida urbana burguesa e o retrato.

João Marques da Silva Oliveira (Porto, 23 de Agosto de 1853— 9 de Outubro de 1927) foi um pintor naturalista português. 

Em 1864 entrou para a Academia Portuense de Belas Artes, completando o curso de história da pintura em 1873. Viveu em França de 1873 a 1879, com o seu colega Silva Porto. Os dois pintores são considerados os introdutores do naturalismo em Portugal. Em 1876 e 1877 viajou com Silva Porto pela Bélgica, Países Baixos, Inglaterra e Itália onde permaneceram mais demoradamente. Participou nos Salões de  Paris de 1876 e 1878. Em 1879, regressou ao Porto e, à semelhança de  Silva Porto, introduziu a pintura de ar livre em Portugal. A partir de 1881, e até 1926, foi professor na Academia Portuense de Belas-Artes, onde ocupou o lugar de director.


Napolitana, 1877-1878, Óleo sobre tela, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto

António Carvalho da Silva (Porto, 11 de Novembro de 1850 - Porto, 11 de Junho de 1893) foi um  pintor português que mais tarde adoptaria para apelido o nome da sua cidade natal, ficando conhecido por Silva Porto.

Biografia

Estudou na Academia Portuense de belas Artes, estagiou em Paris (1876-1877) e em Itália (1879). Em 1879 regressou a Portugal. Aureolado de prestígio, foi convidado para ensinar na Academia de Lisboa como mestre de Paisagem. Em 1880 realiza uma exposição de quadros paisagísticos inundados de luz, tendo D. Fernando adquirido o quadro Charneca de Belas. Fez parte do chamado Grupo do Leão, juntamente com António Ramalho, João Vaz, José Malhoa, Cesário Verde, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Entre outros galardões, recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa de 1884 e a primeira medalha do Grémio Artístico.

A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na própria Natureza. É tido como um dos fundadores do naturalismo em Portugal.

Encontra-se largamente representado no Museu do Chiado em Lisboa e no museu nacional de Soares dos Reis no Porto. 

Colheita- ceifeiras, 1893, óleo sobre tela 

Não deixe de consultar:

http://www.lisboaeditora.pt/catalogo/pdfs/LEHA11_64_69.pdf

Bibliografia:

http://www.esec-josefa-obidos.rcts.pt/cr/ha/seculo_19/naturalismo.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Marques_de_Oliveira

http://pt.wikipedia.org/wiki/António_da_Silva_Porto

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Barbizon

http://209.85.229.132/search?q=cache:6YB-OP8pw8MJ:www.exames.org/apontamentos/HstArte/histarte-realismo.doc+naturalismo+na+pintura&cd=5&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

 

sábado, 27 de junho de 2009

Fomos notícia...


Quero simplesmente, e sem acrescentar mais palavras, partilhar uma notícia que foi publicada no semanário Gazeta das Caldas no dia 26 de Junho de 2009.



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Uma pequena e despretensiosa História de Arte


Os pintores impressionistas

O Impressionismo foi um movimento artístico surgido na Europa durante o século XIX. O nome da corrente artística foi atribuído a partir do título de um quadro de Claude Monet: Impressão , sol nascente (1872)


Claude Monet, “Impressão sol nascente”, 1872

Os pintores impressionistas quebraram com o que estava estabelecido pelos princípios do Realismo ou com aquilo que a Academia preconizava. Deixaram de se interessar por temáticas nobres ou de retratar de modo fiel a realidade.  A luz e o movimento captados através de pinceladas soltas passaram a ser o elemento primordial da pintura, a tal ponto que as obras eram muitas vezes produzidas ao ar livre para que o pintor pudesse captar melhor as nuances da natureza.

Orientações Gerais que caracterizam a pintura impressionista:

  •      A pintura deve mostrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol.
  • Quer isto dizer que se trata de uma pintura instantânea (captar o momento), recorrendo, inclusivamente à fotografia.
  • As figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do quadro passando a ser a mancha/cor.
  • As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como o é a impressão visual que nos causam. O preto jamais é usado numa obra impressionista plena.
  • Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo de um violeta produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos academistas no passado.
  •  As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o olho do observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar óptica.
  •  Preferência dada pelos pintores em representar uma natureza morta em vez de um objeto.

Entre os principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet,  Edgar Degas e Auguste Renoir Poderemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos maiores artistas da pintura impressionista da época.



Two Sisters (On the Terrace), 1881 by Pierre Auguste Renoir, The Art Institute of Chicago.


L'etoile [La danseuse sur la scene] (The Star [Dancer on Stage]) 1878, by Edgar Degas, Musee d'Orsay, Paris.

Bibliografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Impressionismo




 

quarta-feira, 24 de junho de 2009

E ainda a exposição em S. Martinho do Porto

No passado dia 20 ocorreu a inauguração oficial da exposição de pintura intitulada "Percursos sonhados" e que teve lugar no Edifício do Ascensor em S. Martinho do Porto.

Das características do espaço já dei, anteriormente, testemunho, mas o mesmo não sucedeu relativamente às pessoas. Foi gratificante ter presente um grupo de amigos (alguns dos quais acompanham o meu percurso) que se dispuseram a prescindir de algum do seu tempo para estar presente (e note-se que estava um dia de praia convidativo). A sensação é muito boa. Estimula a continuidade do trabalho mas, antes de mais, aquece a alma. É bom ter pessoas assim nas nossas vidas. O meu muito obrigada. Adorei tê-los presente. Aos outros amigos que também se interessaram mas que, por motivos pessoais, não puderam estar presente, os meus sinceros agradecimentos, mesmo! Do fundo do coração.

Seguem-se imagens dos trabalhos que apresentei nessa exposição.

"Os três companheiros", 2009

Aguarela (43cmx53cm - medidas que incluem a moldura); 150€


"Só o amor é perfeito", 2009

Aguarela (43cmx53cm - medidas que incluem a moldura); 150€


"Captando o Sol", 2009

Aguarela (43cmx53cm - medidas que incluem a moldura); 150€

"Baloiçando ao vento", 2009 
Aguarela (53cmx43cm - medidas que incluem a moldura); 150€


"Legumes", 2008

Acrílico sobre tela (80cmx71cm - medidas que incluem a moldura); 250€


"Pondo a conversa em dia", 2009

Acrílico sobre tela (55cmx55cm - medidas que incluem a moldura); 250€


"À procura de identidade", 2009

Acrílico sobre tela (57cmx57cm - medidas que incluem a moldura); 250€


À esquerda: "Tudo é efémero",2009; Acrílico sobre papel (56cmx46cm -inclui moldura); 100€
À direita: "À procura de identidade"


"...e do céu vem a luz", 2007 - porta de Óbidos

Pastel seco sobre papel (57cmx67cm - medidas que incluem a moldura); 250€


"Cesta com limões", 2006 

(Estudo baseado em “Peindre les Natures Mortes, 24”, Vinciana Editions)

Pastel seco sobre papel (55cm x 68 cm)

Pastel seco sobre papel (55cmx68cm - medidas que incluem a moldura); colecção particular


"Nu", 2009

Acrílico sobre cartolina duplex (56cmx76cm - medidas que incluem a moldura); 250€



"Evasões", 2009

(Estudo com base em foto de “Olhares, fotografia on-line”)

Pastel seco sobre papel  (56cm x 76 cm - medidas que incluem a moldura); Colecção particular





terça-feira, 23 de junho de 2009

Relatos breves


Notícias da Boneca: 
Fui visitá-la hoje e está bem. Encontra-se com a coleira de protecção para não se lamber e não danificar os pontos, obrigatórios na sequência da cirurgia a que foi submetida. A febre passou.

Notícias da Nina e da ninhada da Boneca:
A Nina está a fazer uma espécie de adopção relativamente aos novos gatinhos. Deita-se na sua caixa, lambe-os e deixa o gatinho sugar as suas tetas, embora já não tenha leite. Na hora do biberão também presta o seu auxílio. Lambe os gatinhos, quer o que está a ser amamentado, quer o que fica à espera na caixa. Uma grande mãe!

A Nina a apoiar os bébés após o biberão. O gatinho preto com sectores brancos está a mamar "em seco". 
É um saudosista.


Os gatinhos ainda não abrem os olhos, mas sabem manifestar o seu descontentamento quando lhes chega a fome.


A caneta serve de escala para que se possa aperceber o tamanho dos gatos. A fotógrafa, ou seja eu própria, não consegue grande qualidade de imagem e, quando a isso se adiciona gatos em movimento, ainda pior.



segunda-feira, 22 de junho de 2009

A vertiginosa sucessão de acontecimentos

Há vidas complicadas e a dos animais não fica atrás. As notícias de donos que os abandonam podem ser facilmente comprovadas. Pobres animais. Que alterações tais acontecimentos provocam nas suas vidas: a luta pela sobrevivência, o confronto com animais de rua dos quais, a princípio, saem perdedores, a ânsia de obter comida... Tantas outras coisas que poderiam ser referidas, mas a meu ver e, principalmente, que falta devem sentir dos donos. Estarei talvez a projectar sentimentos humanos nos animais. Talvez. Mas quem pode garantir que com estes não se passa o mesmo?

Aconteceu aparecerem-me no quintal duas gatas que foram abandonadas. Ambas super dóceis, meigas, ronronantes, ávidas, evidentemente, de comida, mas muito, também, de afectos. Em casa demos-lhe estes dois ingredientes e elas foram permanecendo nas proximidades cada vez mais, fazendo do nosso quintal o seu porto de abrigo. E a ligação entre as gatas e nós próprios foi-se estreitando.

E aqui recordo-me de uma passagem do livro “O Principezinho “de Saint Éxupèry,

- O que significa "cativar, disse o principezinho"?

- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. – Significa criar laços.

- Criar laços?

- Isso mesmo - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passaremos a precisar um do outro. Passarás a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passarei a ser única no mundo...

E tratou-se mesmo de um processo em que laços foram criados e que consequências tiveram!

As duas gatas ficaram grávidas. A primeira, a Nina, teve seis crias escondendo-se, para o parto e durante os primeiros tempos, nas imediações, mas vindo à nossa casa comer várias vezes por dia. Cerca de um mês depois do parto, trouxe as crias para o quintal de uma vizinha. Como a veterinária dos meus 4 gatos tinha afirmado haver procura de gatinhos pequenos, e que seria fácil dá-los, pegamos nos 6 bichinhos e na mãe e levamo-los todos para adopção. Evidentemente que os gatinhos, que de facto eram lindos, tiveram saída, mas ninguém quis a Nina. Conclusão: a listagem dos meus gatos cresceu para cinco (convém dizer que os meus bicharocos vivem dentro da minha casa, sem nunca porem as suas reais patinhas no quintal – temos medo que possam ir para a rua e que possam ser atropelados). Bom, apesar de tudo, um final feliz.

 

Esta é a Nina

Mas aconteceu que a Boneca (a segunda gata abandonada) teve também gatinhos  que nasceram a 18 de Junho. Foram 5 as pequenas criaturas. Mas as coisas não estavam a correr bem. A gata não se deslocava para comer. Só o fazia se lhe colocássemos a vasilha por baixo da boca. E, no dia 21 começaram a morrer gatinhos. Foram três no mesmo dia. E como miavam de inanição! Na 2.ª Feira, dia 22, eu e o meu marido levamos quer a gata, quer os dois gatinhos sobreviventes até à veterinária. A Boneca tinha razões de sobra para não se deslocar. Estava com  febre resultante de uma brutal infecção e a ecografia realizada revelou (vou expressar-me em linguagem da leiga no assunto, que sou) uma massa estranha na zona do útero (mas não a presença de gatinhos mortos como a princípio se suspeitou). Além disso só uma das tetas vertia leite, em pequeníssima quantidade!

Concluindo: a mãe teria de ser operada de urgência, o que aconteceu hoje mesmo. Às 10 da noite a veterinária ligou-me a comunicar-me que a operação tinha corrido bem, mas que as próximas 48 horas serão decisivas. A gata tinha imensa quantidade de pus acumulado na zona abdominal e quistos muito significativos nos ovários. Vamos aguardar pelo desenrolar dos acontecimentos, esperando que tudo continue a correr pelo melhor.

E as duas crias? Pois é... Vieram para a minha casa. Estou a alimentá-las a biberão. A cada 3 horas lá vou eu tentar dar leite aos bichinhos. Nenhum deles abre ainda os olhos. A gatinha consegue mamar. Depois de uns momentos iniciais de rejeição, é vê-la na sucção da tetina do biberão. Com que entusiasmo uma boquinha de nada se lança nesta operação!

O mesmo não acontece com o gatinho: é uma luta: o bichinho não mama nem por nada. Mia com toda a sua alma, com todo o seu empenho (mas não suga) e eu, que sei que ele tem de ingerir o leite para sobreviver, lá tento fazê-lo com o biberão, com uma seringa a injectar-lhe leite na boca, sei lá o que faço. Espero que a quantidade de leite que lhe consigo ministrar seja suficiente para a sua sobrevivência.

 

Estes são os dois gatinhos que alimento a biberão. O mais escuro é o que o rejeita. A mais clarinha agarra-o bem!

E agora coloca-se outra questão. O que farei com estes dois gatos? Que destino dar-lhes? Não posso ficar com 7 gatos em casa. É excessivo! Crio-os e ponho-os na rua? E os laços afectivos que nos unirão em breve? Bom, vamos viver o hoje. Amanhã quem poderá saber o que irá suceder?